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hp-ph0tography:

Hannah’s Photography - Camden Town 

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Hannah’s Photography - Camden Town 

(via the-liberty)

obliviate-1d:

View from the Astronomical Clock Tower, Prague

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View from the Astronomical Clock Tower, Prague

(via -theperfectmistake)

• reflex •  (at Super Bock Super Rock)

• reflex • (at Super Bock Super Rock)

• ! •  (at NOS ALIVE 2014)

• ! • (at NOS ALIVE 2014)

(sobre)voando (at Praia da Aberta Nova)

(sobre)voando (at Praia da Aberta Nova)

e tudo o sonho levou


Diz que é boa altura para escrever. Dizem-no as circunstâncias. Não passa uma brisa, não entram clientes, o teclado da loja é novo, as músicas foleiras já me estão a fritar a cabeça…

Escrevamos, então. Podes escrever comigo, se quiseres. A escrita, como o sonho, é gratuita e pode ser partilhada. É isso que é tão bom nela: pode ser minha, pode ser tua, pode ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Além disso, é imortal e liberta-se do momento em que foi criada. Quem me dera poder libertar-me assim!

- Eu também. Gostava de voar.

Todos gostávamos. Não poder voar é a pior das limitações do Homem. Nem a morte assusta tanto como a incapacidade de abrir as asas e fugir para longe, sem destino nem rota. Só a escrita faz as duas coisas, na verdade. Liberta-se e vive sempre.

- Não morre?

Não, quem morre somos nós, aos poucos, e não as palavras. Essas podem sempre renovar-se, reactualizar-se, ganhar vida… E voar novamente.

- Então e quando os sonhos são feitos de palavras?

Perguntas bem, meu caro. Quando os sonhos querem voar como as palavras cabe-nos decidir se queremos agarrar-nos a eles, na esperança de que assim possamos voar também, ou se devemos libertá-los e agarrar-nos a coisas concretas.

- Isso é uma escolha difícil.

Diria mesmo uma escolha lixada. Isto porque a maior parte dos sonhos nasce de palavras. Ditas, escritas, cantadas, minhas, tuas, não interessa. Nasce de promessas, de crenças e desejos. Nasce da vontade de viajar, de cantar, de desenhar, de viver… De ser feliz.

E o pior é que os sonhos, como as palavras, estão em todo o lado. Às vezes até no mar. Já reparaste? O mar fala. Comigo, pelo menos, sempre falou, dando-me as respostas que procurava e os abanões que precisava. Mas ao fazê-lo, encheu-me de sonhos. E o problema é que quero realizá-los a todos.

- Porque não? Se os sonhos nascem em todo o lado e são feitos de palavras, então voam, certo?

Pois claro. Nós é que não podemos voar com eles, porque somos humanos. Podemos criá-los, mas a certa altura temos que os deixar partir em liberdade. O mesmo se passa com a escrita. Sophia continua actual porque libertou as suas palavras. Deixou-as voar. Elas são, ao mesmo tempo, só suas, só de Francisco e só nossas. São suas e de todos.

- Ao mesmo tempo?

Sim, ao mesmo tempo.

- Como é que isso é possível?

Sendo. Não te sei explicar, é magia. As palavras voam e passam a ser de todos. Quando as escrevemos num caderninho à cabeceira da cama são só nossas. Mas quando, a meio da noite, o caderno sai pela janela e sobrevoa os céus, liberta as palavras. A questão é que, quando acordamos de manhã, já lá está de novo. Acreditamos que nunca saiu dali, quando na verdade já deu a volta ao mundo.

- Já estás a inventar demasiado. Eu não acredito nessas tretas.

Devias acreditar. Claro que as palavras só voam se as libertarmos. Enquanto as escrevemos, são só nossas; mas quando adormecemos, se estivermos contentes com elas, voam.

- Ok, como queiras. Então e onde é que os sonhos entram? Já estou a baralhar tudo.

Os sonhos nascem enquanto as palavras voam. Se a lua estiver branca, eles nascem e vêm ter contigo. Quando acordas estás cheio deles. É como o mar faz. Quando lhe lanças palavras, ele responde às tuas inseguranças e depois enche-te de sonhos.

- Hmm… Então se os sonhos forem tipo imagens não há problema, pois não? Como quando dormimos e sonhamos com o dia que tivemos, por exemplo. Mas se forem feitos de palavras escritas por nós, dadas pelo mar ou ditas pelos outros é mais difícil porque temos que fazer aquela escolha lixada. É isso?

Exactamente. Vês como percebeste?

- E se não conseguirmos realizar os sonhos temos mesmo que os deixar voar sozinhos? Para passarem a ser de todos, como as palavras?

Sim. Temos que os libertar. Pode ser que alguém os aproveite. Como passam a ser de todos, qualquer um pode realizá-los por nós.

- Já percebi. Devemos escrever e libertar, sonhar e libertar. Libertar tudo.

Oui.

- Mas assim não nos perdemos?

Perdemos. Sentimos que não há chão onde pôr os pés. E isso dói. Mas como nessa altura já partilhamos sonhos com milhares de outras pessoas, nunca estamos verdadeiramente perdidos. Há um elo que une todos os sonhadores. O melhor que temos a fazer é conhecer pessoas tão sonhadoras como nós, que também estejam constantemente a libertar as suas vontades.

- É isso que estamos a fazer aqui? Estamos a escrever sobre a escrita e sobre os sonhos. Estamos a partilhar… E a verdade é que não me sinto muito perdido.

Ora aí está. A escrita, como o sonho, é para ser partilhada.

cicacia:

untitled by SamAlive on Flickr.

cicacia:

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(via p0urtoujours)

hp-ph0tography:

Hannah’s Photography - Camden Town 

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Hannah’s Photography - Camden Town 

(via the-liberty)

obliviate-1d:

View from the Astronomical Clock Tower, Prague

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View from the Astronomical Clock Tower, Prague

(via -theperfectmistake)

• reflex •  (at Super Bock Super Rock)

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• ! •  (at NOS ALIVE 2014)

• ! • (at NOS ALIVE 2014)

artchipel:

Ernest Zacharevic - Kampung Ku (2014)

(sobre)voando (at Praia da Aberta Nova)

(sobre)voando (at Praia da Aberta Nova)

e tudo o sonho levou


Diz que é boa altura para escrever. Dizem-no as circunstâncias. Não passa uma brisa, não entram clientes, o teclado da loja é novo, as músicas foleiras já me estão a fritar a cabeça…

Escrevamos, então. Podes escrever comigo, se quiseres. A escrita, como o sonho, é gratuita e pode ser partilhada. É isso que é tão bom nela: pode ser minha, pode ser tua, pode ser de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Além disso, é imortal e liberta-se do momento em que foi criada. Quem me dera poder libertar-me assim!

- Eu também. Gostava de voar.

Todos gostávamos. Não poder voar é a pior das limitações do Homem. Nem a morte assusta tanto como a incapacidade de abrir as asas e fugir para longe, sem destino nem rota. Só a escrita faz as duas coisas, na verdade. Liberta-se e vive sempre.

- Não morre?

Não, quem morre somos nós, aos poucos, e não as palavras. Essas podem sempre renovar-se, reactualizar-se, ganhar vida… E voar novamente.

- Então e quando os sonhos são feitos de palavras?

Perguntas bem, meu caro. Quando os sonhos querem voar como as palavras cabe-nos decidir se queremos agarrar-nos a eles, na esperança de que assim possamos voar também, ou se devemos libertá-los e agarrar-nos a coisas concretas.

- Isso é uma escolha difícil.

Diria mesmo uma escolha lixada. Isto porque a maior parte dos sonhos nasce de palavras. Ditas, escritas, cantadas, minhas, tuas, não interessa. Nasce de promessas, de crenças e desejos. Nasce da vontade de viajar, de cantar, de desenhar, de viver… De ser feliz.

E o pior é que os sonhos, como as palavras, estão em todo o lado. Às vezes até no mar. Já reparaste? O mar fala. Comigo, pelo menos, sempre falou, dando-me as respostas que procurava e os abanões que precisava. Mas ao fazê-lo, encheu-me de sonhos. E o problema é que quero realizá-los a todos.

- Porque não? Se os sonhos nascem em todo o lado e são feitos de palavras, então voam, certo?

Pois claro. Nós é que não podemos voar com eles, porque somos humanos. Podemos criá-los, mas a certa altura temos que os deixar partir em liberdade. O mesmo se passa com a escrita. Sophia continua actual porque libertou as suas palavras. Deixou-as voar. Elas são, ao mesmo tempo, só suas, só de Francisco e só nossas. São suas e de todos.

- Ao mesmo tempo?

Sim, ao mesmo tempo.

- Como é que isso é possível?

Sendo. Não te sei explicar, é magia. As palavras voam e passam a ser de todos. Quando as escrevemos num caderninho à cabeceira da cama são só nossas. Mas quando, a meio da noite, o caderno sai pela janela e sobrevoa os céus, liberta as palavras. A questão é que, quando acordamos de manhã, já lá está de novo. Acreditamos que nunca saiu dali, quando na verdade já deu a volta ao mundo.

- Já estás a inventar demasiado. Eu não acredito nessas tretas.

Devias acreditar. Claro que as palavras só voam se as libertarmos. Enquanto as escrevemos, são só nossas; mas quando adormecemos, se estivermos contentes com elas, voam.

- Ok, como queiras. Então e onde é que os sonhos entram? Já estou a baralhar tudo.

Os sonhos nascem enquanto as palavras voam. Se a lua estiver branca, eles nascem e vêm ter contigo. Quando acordas estás cheio deles. É como o mar faz. Quando lhe lanças palavras, ele responde às tuas inseguranças e depois enche-te de sonhos.

- Hmm… Então se os sonhos forem tipo imagens não há problema, pois não? Como quando dormimos e sonhamos com o dia que tivemos, por exemplo. Mas se forem feitos de palavras escritas por nós, dadas pelo mar ou ditas pelos outros é mais difícil porque temos que fazer aquela escolha lixada. É isso?

Exactamente. Vês como percebeste?

- E se não conseguirmos realizar os sonhos temos mesmo que os deixar voar sozinhos? Para passarem a ser de todos, como as palavras?

Sim. Temos que os libertar. Pode ser que alguém os aproveite. Como passam a ser de todos, qualquer um pode realizá-los por nós.

- Já percebi. Devemos escrever e libertar, sonhar e libertar. Libertar tudo.

Oui.

- Mas assim não nos perdemos?

Perdemos. Sentimos que não há chão onde pôr os pés. E isso dói. Mas como nessa altura já partilhamos sonhos com milhares de outras pessoas, nunca estamos verdadeiramente perdidos. Há um elo que une todos os sonhadores. O melhor que temos a fazer é conhecer pessoas tão sonhadoras como nós, que também estejam constantemente a libertar as suas vontades.

- É isso que estamos a fazer aqui? Estamos a escrever sobre a escrita e sobre os sonhos. Estamos a partilhar… E a verdade é que não me sinto muito perdido.

Ora aí está. A escrita, como o sonho, é para ser partilhada.

(Source: meanieweeny, via p0urtoujours)

(Source: outofreception)

e tudo o sonho levou

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Maria, Portugal. Eternal dreamer

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